Sampa...

Sampa
por Helena Piccazio


São Paulo. Grande, muito grande! Nasci na Avenida Paulista dando trabalho entre o Natal e o Ano Novo. Nunca me considerei assim muito paulista até que voltei pra cá dessa última vez. Faz uns 4 anos que fico viajando por aí, correndo atrás de coisa, de conhecimento, de gente, de fotos, de cultura, de amores, de coisas que talvez nem existam.

Causos - é culpa do outono

é culpa do outono
Por Luciano Piccazio Ornelas


Estava outro dia tão assim que quase nem me dei conta. Não conseguia ficar de pé, nem pra poder deitar e dormir. Não conseguia então, enfim, nem dormir nem controlar meus instintos.


Então levantei. Toca mais um café. Pra varanda aproveitar o friozinho, e enfiar a cara no café quentinho saindo da caneca. O cérebro começa a dar voltas, e nem lembrava mais por que estava lá. Ah, sim, ela. De novo. É sempre uma "ela" diferente, mas sempre o mesmo "de novo".
 

Causos - De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha

De como a gente, sem querer, cria qualquer historinha
por Carol Bataier

Eu no ônibus e lá fora uma chuvinha fina dessas que prendem a gente na cama em qualquer dia cinza. Mas por mais que minha vontade fosse essa, de nunca sair de baixo do edredon, é no ônibus que eu estava. Por que às vezes as minhas obrigações pesam e até criam voz própria.

Causos - De como você pode não perceber

De como você pode não perceber...
por Carol Bataier


É certo que a primeira vez que você viu aquele rostinho bonito nem pensou nesse mundo todo que havia por trás daquele corpo gostoso, daquele narizinho empinado.

Cinema do Roy - Oscar e Sundance

Oscar e Sundance
por Roy Frenkiel
A maior festa do cinema comercial está a menos de dois meses daqui. A entrega do Oscar, esperada ansiosamente pelos fanáticos, conhecedores e apreciadores da arte cinematográfica já tem seu processo iniciado. Os melhores filmes já estão nomeados. Mas, nos Estados Unidos, em uma cidade nem tão distante do local da entrega do Oscar, Los Angeles, também existe um outro festival, um dos mais importantes do cinema independente, provavelmente perdendo em popularidade apenas para o Cannés.

Cinema do Roy - Os Gênios do Crime

Os Gênios do Crime
Por Roy Frenkiel


Um dos primeiros propósitos do cinema pós-edição, foi o da propaganda. Uma das primeiras e mais famosas propagandas massivas eficazes realizada, foi feita às ordens de Hitler, contra O Judeu, o ‘üntermentch’, ‘subumano’ responsável quase exclusivo dos males da Alemanha. Muitos de meus amigos próximos, judeus como eu, testemunharam posteriormente que a propaganda funcionaria, caso não conhecessem a realidade. O cinema, portanto, há décadas, já provou-se método não só eficaz, mas provavelmente a principal ferramenta do marketing de idéias, se não também de produtos e, eventualmente, da história.

Petit Música - Musiquinhas de natal

Musiquinhas de natal
por Luciano Piccazio Ornelas


Chegou o natal, época dos comerciantes faturarem e de muitos tirarem férias. Época dos discursos inflamados sobre espíritos natalinos, do décimo terceiro, décimo quarto, décimo quinto...

Causos - Beijo Beat

Beijo Beat
por Carol Bataier


Sabe Geração Beat? Drogas, poesia, jazz e sexo livre? Jack Kerouac? Pois é, nós tínhamos um trabalho pra fazer sobre os caras. Teríamos que apresentar algo muito bom e que de alguma forma resumisse em, no máximo 30 minutos, o que foi a Beat Generation.

Causos - Criança tem cada uma...

Criança tem cada uma...
por Carol Bataier


Trabalhar com criança dá trabalho. Trabalhar com teatro dá trabalhos. Ambos exigem dedicação e paixão. E juntar os dois exige além disso, paciência.

Artistas no Telhado - Filarmônica de Berlim

Berlim Superstars!
Por Helena Piccazio

Pra quem pensa que música clássica é sinônimo de música relaxante, pra dormir, de gente mais velha, mais metido a refinado, tenho que dizer: não é bem assim...

Petit Música - Beatles

Por quê Beatles?
por Luciano Piccazio Ornelas

Quatro moleques doidos por Elvis, que gostavam de comer frango no palco enquanto tocavam, e ganhavam uns tostões tocando, basicamente, música cover. Fizeram uma viagem à Alemanha para se apresentarem em bares e lá ficavam acordados à base de drogas estimulantes. Num destes bares, seu guitarrista foi preso: tinha apenas 17 anos (era contra lei menores tocarem em bares).

Crônicas Literárias - Monsenhor Quixote

Monsenhor Quixote
por Luciano Ornelas


O escritor inglês Grahan Greene sempre se declarou um apaixonado pela obra do maior autor espanhol de todos os tempos, Miguel de Cervantes, e seu sublime Dom Quixote de la Mancha. Em sua homenagem, Greene escreveu uma parábola, o livro Monsenhor Quixote, onde traz para o início da década de 80 personagens e situações que lembram as de Dom Quixote. Apenas uma homenagem mesmo, pois Greene jamais tentaria se colocar no alto de uma galeria que abriga nomes como o do próprio Cervantes ou de Shakespeare.

Gestão Cultural - Um ônibus para o Jardim Miriam

Um ônibus para o Jardim Miriam
por Claudia Piccazio


Em horário de pico não é nada complicado imaginar como ficam os ônibus na cidade de São Paulo. Andar de ônibus no começo e no final do dia envolve uma rotina extenuante que consome horas dos trabalhadores – por vezes quatro a cinco - e deixa em frangalhos o corpo, a mente e o emocional de quem está lá dentro espremido, bem pior do que uma sardinha em lata. Ir para o Jardim Miriam, zona sul da cidade, nesses horários não é diferente.

Artistas no Telhado - Vengerov

Vengerov
Por Helena Piccazio


Fazia um bom tempo que não víamos um concerto, eu e meu namorado, que tambem é músico clássico. Aí apareceu um concerto na segunda-feira e o Dimitri Pogorelov, violinista aqui do Conservatório Lynn, tinha ingressos gratuitos. Claro que nós queriamos, mas nem sabíamos que concerto era aquele. Entao alguém perguntou: vocês vão ver o Vengerov na segunda-feira? Caramba!!! O Maxim Vengerov é um dos maiores violinistas da atualidade!

Foto em Cena - A ilusão do real

A Ilusão do Real
por helô Louzada


Não há duvidas sobre as mudanças que ocorreram no mundo a partir do advento da fotografia. Desde o surgimento dos primeiros daguerreótipos, no fim do século XIX (que causaram o encantamento narcisista da burguesia por si própria), a influência da fotografia e do mundo imagem criado por ela foram determinantes na composição do mundo que começava a se desenhar com as revoluções industriais e técnico-científicas.

Petit Música - Nova MPB, temos de agüentar?

Nova MPB, temos de agüentar?
Por Luciano Piccazio Ornelas 


Toda geração espera e vive as novidades musicais que fazem sentido para aqueles tempos. Rock, em qualquer época, o faz. Talvez pela atitude, talvez pelas letras. Muitas vezes pela sonoridade. MPB também. No Brasil, uma juventude inteira se levantava para ouvir MPB nos discos de vinil, nos Festivais da Canção. Músicas belíssimas, complexas, com letras de compositores do escalão de Vinícius de Moraes.

Causos - A bruxinha que era boa

Causos - A bruxinha que era boa
por Carol Bataier


Fazer teatro no interior é difícil. Requer paciência, criatividade, imaginação e muita paixão. E quando falo interior, não estou me referindo a Campinas, Rio Preto ou mesmo Bauru. Digo Dois Córregos, Duartina, Ubirajara, Guarapuã. Já ouviram falar?

Críticas Literárias - Memórias do Esquecimento

Memórias do esquecimento
por Luciano Ornelas


Flávio Tavares sempre foi um homem muito franzino: alto, de olhos azuis e sorriso tímido, a pele muito branca ainda revela um personagem avesso ao sol. Jornalista em Porto Alegre na década de 50, ganhou projeção nacional quando se mudou para Brasília, algum tempo depois da inauguração, e passou a escrever uma coluna política no jornal Última Hora, edição nacional, ao lado de figuras que formavam a elite cultural do País.

Artistas no Telhado - Deep Purple

O dia em que vi Deep Purple
por Helena Piccazio

Em Artistas no Telhado artistas contam as loucuras que já fizeram para assistir a um bom show. Helena Piccazio queria mais: não bastava só assistir, ela queria conversar com eles, ver o ensaio...

O Deep Purple!!! O Deep Purple!!! Eles mesmo? Sim! Pra tocar com a Orquestra Jazz Sinfônica. Sério? Sério...


Foto em Cena - Robert Capa

Fotojornalismo Heróico
por Helô Louzada


Desembarcar com as tropas aliadas na Normandia; não para combater o inimigo nazi-facista, mas sim para registrar aquele momento único, arriscando sua própria vida em troca de imagens que o consagrariam.

Arte e Paz - Conversa com Sevcenko

Conversa com Nicolau Sevcenko
por Luciano Piccazio Ornelas


Nicolau Sevcenko é um dos professores mais queridos do departamento de História da USP. Ocupa a cadeira de História Contemporânea e também ministra o curso de História da Cultura. Um semestre por ano dá aulas em Londres, onde divide sala com ninguém menos que Eric Hobsbawn – autor de Era dos Extremos, entre outros.
Regularmente requisitado pelos meios de comunicação, Sevcenko escrevia até pouco tempo atrás uma coluna semanal para revista Carta Capital.
“Não existe arte como algo em si mesmo, mas sim como um elemento que carrega uma intencionalidade, que estabelece nexos”. Estávamos em sua sala na USP; local com paredes cheias de pinturas e fotografias. Livros, claro, muitos livros. Enquanto conversávamos, preenchia regularmente a tampa de sua garrafa térmica preta de chá e ia bebendo aos poucos.

Causos - Invoco Stanislawyski: pensar dente, sentir dente! - Causos

Invoco Stanislavski:
pensar dente, sentir dente!

por Carolina Bataier


Estava jogada no sofá, sem nada pra fazer, sem nada pra pensar, quando recebi o telefonema. Era um grande amigo, diretor de teatro. Dizia: “Preciso de uma ajuda sua. Estamos apresentando uma peça nas escolas, sobre cáries, a importância de escovar os dentes. Coisa da prefeitura. Acontece que uma das atrizes pegou virose e não poderá participar da próxima apresentação. Você não faria o papel? É um dente”.
 Aceitei sem pensar muito no caso. Teria dois dias e meio pra ensaiar.

Crônicas Literárias - Hino Nacional

Hino Nacional
por Luciano Ornelas

Brasília foi plantada no Planalto Central, numa solidão que se transformou no centro das altas decisões nacionais, segundo promessa de Juscelino Kubstichek. Antes era só cerrado e silêncio em volta da mais avançada arquitetura do mundo. Mas o Brasil cresceu e aos poucos as cidades satélites tomaram todas as cercanias e aquilo virou um pardieiro, uma miséria danada. Hoje os índices de pobreza e de violência em volta da Capital do Brasil são muito assustadores. Os hotéis contrataram seguranças, um monte deles, pois é possível topar com um bandido em cada esquina de Brasília, a qualquer hora. Aquilo ali está um horror.

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da
Pátria nesse instante.

Gestão Cultural - Diversidade

Diversidade
por Claudia Piccazio


Se você ouvir falar em diversidade cultural, pare e preste atenção, porque esse é um dos mais importantes temas debatidos no momento. E é bem possível que a reflexão, a discussão e deliberação sobre esse tema coloquem um pouco de sanidade no processo de globalização – um processo que, como afirmou o geógrafo Milton Santos, veio para dominar e não para libertar, para reunir e não para unir.

Editorial - Áreas Vip´s em shows gratuitos?

Áreas Vip´s em shows gratuitos?
por Luciano Piccazio Ornelas


Quantas vezes já vimos em shows gratuitos áreas Vip´s enormes separando o palco do público? Áreas nas quais os convidados se sentam tranqüilamente para assistir ao show, independente do horário de chegada, enquanto o resto do público se mata para conseguir ao menos ver o artista. Parece estranho, mas mesmo em lugares teoricamente democráticos há segregações. Há aqueles que podem, e os que não podem.


Artistas no Telhado - Uma das três mais sortudas do mundo

Uma das três mais sortudas do mundo
por Helena Piccazio

Budapest. Era domingo e eu estudava meu violininho em casa. Bom, eu estudava, mas com uma certa coceira, porque a Chicago Symphonie estava na cidade, tocando na sala da Orquestra Nacional, um teatro novíssimo em folha, modernérrimo, grande e lindo! O sábado já havia ido embora e eu não pude ir porque tive ensaio. Doía mais ainda saber que a orquestra tinha se apresentado com o Pierre Boulez regendo. (!!!!!!!).

Foto em Cena – Henri Cartier-Bresson

O Momento Decisivo
por Helô Louzada

Henri Cartier-Bresson. Não há como iniciar uma coluna sobre fotografia sem falar do fotógrafo que mais influenciou a produção moderna e contemporânea. De certo, a maioria dos leitores já teve oportunidade de entrar em contato com algumas das fotografias de Bresson. O instante exato em que o homem que está pulando sobre uma poça d’água e encosta a ponta de seu sapato na água ou o casal que se beija sob o olhar atento de um cachorro.

Arte e Paz - Judeus e Muçulmanos


O caminho de Abraão
por Luciano Piccazio Ornelas 


Encontrei-me com duas feras: um é o Xeque Armando Hussein Saleh. Filho de libaneses, é Embaixador da ONU pela paz e apresentador do programa Ecumênico na Rede Globo. Outro é Raul Meyer, vice-presidente da Casa de Cultura de Israel e organizador da mostra Coexistence no Brasil, exibição que rodou o mundo e agora está na Praça da Paz do Parque do Ibirapuera, local do encontro dos três.

As três maiores religiões do mundo têm um pai comum, Abraão. É ele quem une, numa só casa católicos, judeus e muçulmanos. É ele quem abarca aqueles que caminham com Moisés, com Cristo e com Mohamed.


Pensando nisso, há muito existe a idéia de se fazer um caminho, o Caminho de Abraão - numa referência ao Caminho de Santiago de Compostela. O Papa João Paulo II já quis caminhá-lo, Martin Luther King já quis caminhá-lo. Vem bem na esteira dos movimentos pró-ecumenistas e pró-universalistas. Um modo de abarcar a todos respeitando suas individualidades. Afinal, todos pregam a paz e o amor.

Causos - A atriz virgem

A atriz virgem
por Carolina Bataier



Martinha, como era conhecida por essas bandas, de repente cismou que queira fazer teatro. Mas os tempos eram outros. Anos 80. E Martinha, moça simples do interior, dessas que vão à missa todo domingo acompanhada dos pais. Dessas que não sabiam o que era decote ou mini-saia. Moça pra casar, como dizem por aqui.

Crônicas Literárias - Gabriel García Márquez

Ninguém Escreve
por Luciano Ornelas

Cem Anos de Solidão, Outono do Patriarca, Os Funerais de Mamãe Grande, O General em seu Labirinto e Amor nos Tempos do Cólera são alguns dos livros mais famosos do escritor colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura de 1982. Mas há um muito especial e pouco conhecido, provavelmente o tubo de ensaio do qual García Márquez tirou toda a emoção da vida para produzir Cem Anos de Solidão, sua obra mais importante. Chama-se Ninguém Escreve ao Coronel, segundo livro da carreira, que escreveu ainda jovem, logo depois de abandonar o jornalismo. É pequeno, perto de cem páginas, mas é seguramente um dos mais belos textos produzidos pelo homem sobre a amargura da velhice.

Gestão Cultural - Bookcrossing

Loucos por livros
por Claudia Piccazio


A jornalista Helena Castello Branco está tirando do forno um projeto totalmente Arte Free. Trata-se da vertente brasileira de uma proposta vitoriosa em todo o mundo, o Bookcrossing


Tudo começou em 2001, quando um americano louco por livros colocou no ar o www.bookcrossing.com e fez um estrondoso sucesso ao propor àqueles que, como ele, eram loucos por livros, um jogo que misturava ação, desprendimento e ampliação de horizontes, literalmente.

Editorial - O que é arte?

O que é arte?

Arte é aquilo que vemos nos cantos da cidade. Exposta, impressões de marginais são o mais puro retrato da alma. Marginais não só aqueles jogados nas calçadas, mas também aqueles seres cuja decisão de vida é a de tentar extrair do mundo um pouco de sua essência, mesmo que cause morte, tristeza, incompreensão, isolamento e, pior de tudo, loucura.

Arte é aquilo que vemos em jornais, todos os dias. Expostas como mercadorias em bancas, algumas têm, em textos primorosos, pequenos fragmentos de obras-primas travestidos de notícias comuns.